Dez minutos antes do concurso de cosplay, a espada de Yuki quebrou ao meio.
Ela tinha passado quatro meses na fantasia – uma rainha guerreira de um jogo que jogava desde os quinze anos. Capa costurada à mão, armadura de EVA pintada para parecer prata antiga e uma espada de dois metros que agora eram duas espadas de um metro.
“Não, não, não”, ela sussurrou.
“Isso aí”, disse uma voz atrás dela, “é uma emergência médica?”
Ela se virou. O cara da mesa ao lado – o que vendia miniaturas pintadas à mão – segurava uma pistola de cola quente como um cirurgião segura um bisturi.
“Eu sou o Sam”, ele disse. “Já consertei coisa pior. Provavelmente.”
A cirurgia
Ele trabalhou rápido. Um pino de madeira do expositor dele, três camadas de cola, um pouco de fita preta, um pouco de tinta prata do kit dele. Yuki segurava as peças e tentava não reparar que os antebraços dele estavam cobertos de tinta e que ele cantarolava quando se concentrava.
“Pronto”, ele disse, faltando quatro minutos. “Não balança. Não se apoia nela. Não deixa ninguém te abraçar.”
“Essa é a minha apresentação inteira.”
“Então improvisa.”
Ela ficou em segundo lugar. Ergueu o troféu na direção da mesa dele, do outro lado do pavilhão, e ele vibrou mais alto do que qualquer um.
Segundo dia
Na manhã seguinte, ela levou um café para ele como agradecimento. Ele deu a ela uma miniatura que tinha pintado durante a noite: uma rainha guerreira minúscula com uma espadinha quebrada, presa com fita.
Ela ficou olhando por um bom tempo.
“Quando você dormiu?”
“Não dormi. Valeu a pena.”
Passaram a tarde andando juntos pela convenção. Ele conhecia todos os jogos que ela mencionava. Ela ganhou dele num fliperama três vezes seguidas, e ele fingiu estar arrasado. As pessoas não paravam de pedir fotos a ela, e toda vez ela olhava para ver se ele ainda estava ali. Ele sempre estava.
A festa
A festa de encerramento foi em um salão de hotel cheio de máquinas de fumaça e gente fantasiada de elfo. Yuki tinha trocado a armadura por um vestido preto simples e de repente se sentiu tímida sem uma fantasia para se esconder.
Sam a encontrou perto da janela.
“Você está diferente”, ele disse.
“Pior?”
“Parece a personagem de verdade. A armadura era a fantasia.”
Era uma cantada ridícula. Também funcionou. Ela riu, pegou a mão manchada de tinta dele e o puxou para a pista, onde um DJ tocava músicas de videogame remixadas em algo dançável.
Mais tarde, no corredor silencioso do lado de fora do salão, ela o beijou contra um pôster de dragão. Ele a beijou de volta como se estivesse pensando nisso havia dois dias – o que, ele admitiu, era verdade.
“Meu quarto é no quarto andar”, ela disse.
“A espada está lá?”
“A espada está lá.”
“Então eu preciso examinar a minha paciente.”
O que aconteceu no quarto andar fica no quarto andar. A espada sobreviveu. Quase toda.
Terceiro dia
No último dia, eles dividiram a mesa dele. Ela vendeu as miniaturas com um entusiasmo ridículo, e ele vendeu mais em um dia do que no ano anterior inteiro.
Eles moram em cidades diferentes. Têm um plano. Convenção do ano que vem, fantasias combinando – uma rainha guerreira e o ferreiro que forjou a espada dela.
Ele já está construindo. Essa não vai quebrar.



