Ficção · 18+Femdom · Primeira vez1 min de leitura

O sofá de veludo

O lugar dele era no chão, ao lado do sofá de veludo verde. Subir era um privilégio. E ela decidia quando ele o merecia.

A red velvet curtain
Photo: Manos Gkikas · Unsplash

Gustavo passou três vezes em frente à porta da festa, na Rua Augusta, antes de entrar. Na quarta, a hostess abriu antes que ele tocasse.

«Primeira vez?», perguntou, sorrindo. «Respira. Aqui ninguém faz nada que você não queira.»

Lia

O salão era escuro, cheio de veludo e luz baixa. No canto, num sofá verde-musgo, uma mulher de vestido preto lia um livro como se estivesse na sala de casa. Cabelo cacheado, unhas escuras, uma tranquilidade que parecia ocupar o lugar inteiro.

Gustavo não conseguiu parar de olhar. Depois de vinte minutos, ela fechou o livro sem levantar a cabeça.

«Você vai ficar aí em pé a noite toda?»

Ele se aproximou. Ela apontou para o tapete ao lado do sofá.

«Ali. No chão. O sofá é meu.»

A regra

Ele sentou no tapete. Ela se chamava Lia, e antes de qualquer coisa quis conversar. Perguntou o que ele procurava, o que o assustava, o que nunca. Ouviu tudo com atenção de terapeuta.

Depois explicou a regra.

«Enquanto estiver no chão, quem decide sou eu. Tudo. Se quiser parar, é só levantar e dizer veludo. Acabou, sem drama, ninguém olha torto.»

«E o sofá?»

«O sofá é um prêmio», disse ela. «Talvez hoje. Talvez nunca.»

Merecer

Ela o fez esperar, pedir, ficar imóvel enquanto conversava com outras pessoas como se ele não estivesse ali. Às vezes passava a mão no cabelo dele, distraída, e aquele gesto pequeno valia mais que tudo. Depois, num reservado nos fundos, foi ela quem conduziu cada segundo. O que aconteceu lá fica lá.

Perto das três, Lia bateu de leve no assento ao lado.

«Sobe.»

Gustavo sentou no veludo verde como quem recebe uma medalha. Ela encostou a cabeça no ombro dele por um minuto inteiro, sem dizer nada.

Ele voltou todas as últimas sextas do mês desde então. Na maioria das vezes, passa a noite no tapete. Nunca reclamou. Descobriu que gosta mais do chão do que de qualquer sofá.

Esta história é ficção. Todos os personagens são adultos inventados (18+), e qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência.

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