Ficção · 18+Hotwife · Casal2 min de leitura

A prova

Alguém estava vendendo as fotos deles com outro nome. A resposta de Paula foi uma folha de papel e uma caneta.

Two gold wedding rings on fabric
Photo: Mariano Rivas · Unsplash

Foi uma amiga quem mandou o print. “Paula, essa não é você?”

Era. As fotos do casal – as discretas, que eles postavam num fórum fechado havia dois anos – estavam num perfil falso, com outro nome, vendendo “pacotes” por Pix.

Paula passou uma noite inteira com raiva. Rodrigo, o marido, passou a noite vendo ela com raiva e se apaixonando de novo.

“Sabe o que a gente vai fazer?”, disse ela às três da manhã, na cozinha do apartamento no Santo Antônio. “A gente vai provar que é a gente.”

A folha de papel

A regra do fórum para verificação era antiga e simples: uma foto, no dia, segurando um papel escrito à mão com o usuário, o nome da comunidade e a data.

Paula escreveu com uma caneta azul, na letra mais caprichada que tinha. Rodrigo tirou a foto: ela de camiseta velha, cabelo preso, olhando direto para a câmera com uma expressão de quem não perdia uma briga.

“Mais uma”, disse ela. “Agora com você.”

Eles fizeram a segunda foto juntos, ele atrás dela, com o queixo no ombro. Os moderadores aprovaram em uma hora. O perfil falso foi derrubado em três dias.

“Casal verificado”, leu Rodrigo em voz alta. “Parece título de filme.”

As regras

A comemoração foi ideia dela, e ninguém se surpreendeu.

Havia um homem no fórum com quem eles conversavam havia meses, verificado também, educado, que sempre perguntava a opinião de Rodrigo antes da de Paula. Chamava-se Daniel. Eles o encontraram três vezes antes de decidir qualquer coisa: um café, um almoço, uma tarde na Praça da Liberdade.

Na terceira, Paula tirou da bolsa a mesma folha de papel da verificação e escreveu no verso:

1. Rodrigo fica no quarto. 2. A palavra para parar é “Pampulha”. Qualquer um pode dizer. 3. Depois, Daniel vai embora e a gente conversa.

A noite

Foi num hotel na Savassi, num quarto alto com a serra ao fundo. Rodrigo sentou na poltrona perto da janela. Paula estava de vestido vinho, o mesmo que tinha usado no noivado.

Antes de tudo, ela foi até a poltrona, segurou o rosto do marido e beijou devagar. “Ainda quer?”

“Mais do que nunca.”

O que aconteceu depois foi calmo, cuidadoso e exatamente o que tinham combinado. Ela se virava de vez em quando para procurar os olhos dele, e cada vez que encontrava, sorria um sorriso que era só dele. Ninguém disse Pampulha.

A prova

Quando Daniel foi embora, Paula se enroscou no colo de Rodrigo e ficou um tempo calada.

“Sabe qual é a graça?”, disse por fim. “Aquele perfil falso vendia fotos nossas. Mas não tinha isso.” Ela apontou para os dois, para o quarto, para a cidade lá embaixo. “Isso ninguém rouba.”

A folha de papel, com a verificação de um lado e as regras do outro, está numa moldura no corredor. As visitas acham que é arte moderna.

Esta história é ficção. Todos os personagens são adultos inventados (18+), e qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência.

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