Ficção · 18+Femdom · Poder1 min de leitura

A síndica do nono andar

Três infrações em uma semana. Em vez de multa, um bilhete: «Compareça ao 902 às 22h. Traga o regulamento.»

A long hotel hallway with a red carpet
Photo: Sébastien Lavalaye · Unsplash

Felipe se mudou para o prédio em Curitiba numa segunda. Na quarta já tinha estacionado na vaga errada. Na sexta, deixou a bicicleta no hall. No sábado, colocou música alta depois das dez.

No domingo, achou um bilhete embaixo da porta, numa letra elegante:

Três infrações. Compareça ao 902 às 22h. Traga o regulamento. – Beatriz, síndica.

O 902

Beatriz tinha quarenta e oito anos, cabelo curto grisalho e óculos de armação fina. O apartamento era impecável. Ela o mandou sentar na cadeira em frente à sua mesa e estendeu a mão para o regulamento.

«O senhor leu?»

«Por cima.»

«Foi o que imaginei.» Ela folheou as páginas. «Tem gente que quebra regras por descuido. E tem gente que quebra porque quer que alguém repare. Qual é o seu caso?»

Felipe ficou vermelho. Ela sorriu, devagar, como quem já sabia a resposta.

O regulamento dela

Ela tirou da gaveta outra folha. Não era do condomínio.

Era uma lista escrita à mão, com espaços em branco. O que você quer. O que nunca. Até onde. E, embaixo, uma palavra só: vermelho.

«Se disser essa palavra, eu volto a ser a síndica chata do nono andar e você volta a ser o vizinho da bicicleta. Sem rancor, sem fofoca no elevador. Combinado?»

Ele preencheu a lista em silêncio. Ela leu, ergueu uma sobrancelha num ponto ou dois, e guardou.

«Agora vamos falar das multas.»

As multas

As multas eram dela. Cada infração, uma regra a cumprir naquela noite: onde se ajoelhar, quando falar, quanto esperar. Beatriz quase não o tocava, e a ausência do toque era o que mais o desmontava. O que aconteceu no 902 fica no 902.

À meia-noite, ela devolveu o regulamento do condomínio.

«Leia inteiro. Na próxima infração, a multa dobra.»

Felipe leu o regulamento três vezes. Decorou cada artigo. E mesmo assim, por algum motivo, sua bicicleta continua aparecendo no hall toda sexta-feira.

Esta história é ficção. Todos os personagens são adultos inventados (18+), e qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência.

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